LIBERTEMO-NOS

Boa noite com André Luiz – Libertemo-nos – 24/10/13

O homem, na essência, é um espírito imortal, usando a vestimenta transitória da vida física.
A existência regular no corpo terrestre é uma série de alguns milhares de dias – átomos de tempo na Imortalidade – concedidos à criatura para o aprendizado de elevação.

A Crosta do Mundo é o campo benemérito, onde cada um de nós realiza a sementeira do próprio destino.
A Ciência é o serviço do raciocínio, erguendo a escola do conhecimento.
A filosofia é o sistema de indagação que auxilia a pensar.
A religião, porém, é a bússola brilhante, indicando, desde a Terra, o caminho da ascensão.

Todos nós somos herdeiros da Sabedoria Infinita e do Amor Universal.
Entretanto, sem o arado do trabalho, com que possamos adquirir valores inalienáveis da experiência, prosseguiremos colados ao seio maternal do Planeta, na condição de lesmas pensantes.

Não repouses à frente do dia rápido.

Abre os ouvidos à sinfonia do bem, que se derrama em toda parte.

Abre os olhos à contemplação da verdade que regenera e edifica.

Abre a mente aos ideais superiores que refundem a existência.

Abre os braços ao serviço salutar.

Descerra o verbo à exaltação da bondade e da luz.

Abre as mãos à fraternidade, auxiliando ao próximo.

Abre, sobretudo, o coração ao amor que nos redime, convertendo-nos fielmente em companheiros do Amigo Sublime das Criaturas, que partiu do mundo, de braços abertos na cruz, oferecendo-se à Humanidade inteira.

Cada inteligência tocada pela claridade religiosa, nas variadas organizações da fé viva, é uma estrela que ilumina os remanescentes da ignorância e do egoísmo, no caminho terrestre.

Liberta-te e sobe à luz do píncaro, a fim de iluminares a marcha daqueles mais necessitados que tu mesmo, na jornada de aperfeiçoamento e libertação.

ANDRÉ LUIZ
(Apostilas da Vida, cap. 2, Francisco Cândido Xavier)

Boletim O TEOSOFISTA, Outubro 2013

Boletim O TEOSOFISTA, Outubro 2013

Notas e Informações Sobre Teosofia e o Movimento Esotérico

O Boletim Mensal do Website www.FilosofiaEsoterica.com

Ano VII – Número 77 – Edição de Outubro de 2013

Facebook: FilosofiaEsoterica.com. Email: lutbr@terra.com.br

“Cada parte do mundo representa uma página no livro da Natureza…”

(Paracelso)

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Um Cosmo Em Cada Feto Humano

Fragmento de Carta de um Mahatma

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Reproduzimos a seguir uma pergunta e o

começo da resposta de um Mestre de Sabedoria,

sobre a relação entre o microcosmo e o macrocosmo

em filosofia esotérica. Trata-se de fragmento de uma carta

escrita por um Mahatma a Alfred P. Sinnett em Julho de 1882.

(“Cartas dos Mahatmas”, Ed. Teosófica, Vol. I, p. 284)

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A pergunta feita por A. P. Sinnett:

Cada forma mineral, vegetal, planta, animal, contém sempre dentro de si aquela entidade que inclui a potencialidade de desenvolvimento até chegar a ser um espírito planetário? (…)

A resposta, de um Mahatma:

Invariavelmente; só que é melhor chamá-lo de germe de uma futura entidade, e é o que tem sido durante eras. Pense no feto humano. Desde o momento da sua primeira instalação até completar o seu sétimo mês de gestação, ele repete em miniatura os ciclos mineral, vegetal e animal pelos quais passou em seus invólucros anteriores, e só durante os dois últimos meses desenvolve a sua futura entidade humana. Esta só fica completa durante o sétimo ano da criança. No entanto, ela existiu sem nenhum acréscimo oudecréscimo durante eternidades e mais eternidades, antes de percorrer seu caminho,  através e no útero da mãe natureza, como faz agora no corpo de sua mãe terrena. Tem razão um sábio filósofo, que confia mais em sua intuição que nos ditados da ciência moderna, ao dizer:

“Os estágios da existência intra-uterina do homem são um registro condensado de algumas das páginas que faltam na história da Terra”.

Assim, você deve olhar para trás e ver as entidades animais, minerais e vegetais. Você deve encarar cada entidade em seu ponto inicial na trajetória manvantárica como o átomo cósmico primordial já diferenciado pela primeira vibração da respiração vital do manvântara. [1]

NOTA:

[1] Parece haver nesta frase uma referência ao que a astrofísica moderna chama de “Big-Bang”. (Nota da edição brasileira de “Cartas dos Mahatmas”)

O Poder Curativo das Ideias Universais

Não existe coisa alguma separando um indivíduo qualquer do todo da nossa galáxia (foto), ou do cosmo que se espalha ao seu redor.
Nada poderia ser mais prático, para a cura das dores humanas de cada dia, do que a prática regular da contemplação dos princípios universais e da verdade abstrata.
O sofrimento emerge da busca de satisfação pessoal. A bênção e a felicidade, por outro lado, ocorrem quando olhamos para a vida em nosso planeta e nossa galáxia percebendo nela um todo vivo e dinâmico.
As ideias universais curam o indivíduo da mediocridade e da miopia que significa estar centrado em seus próprios interesses pessoais de curto prazo. O estudo do universo e suas leis amplia o seu horizonte e traz a ele a bênção silenciosa da sua própria Mônada – sua alma imortal -, cuja substância é parte da essência das galáxias. (CCA)

A Vitória e a Justiça

“A inteligência é imparcial. Ninguém é teu inimigo: ninguém é teu amigo. Todos são igualmente teus instrutores.”   (“Light on the Path”, M.C., Theosophy Co., Los Angeles, p. 24)

Paracelso e o Livro da Natureza


Paracelso (1490 – 1541)

Diferentes peregrinos podem dedicar suas vidas a vários aspectos da mesma missão, e é possível aprender algo da experiência acumulada dos seus esforços ao longo do tempo.
Por exemplo, a vida, a personalidade e o estilo pessoal de Paracelso (1490-1541) tinham diversos pontos em comum com os de Alessandro Cagliostro (1743?-1795?), e com os de Helena P. Blavatsky (1831-1891). Vale a pena fazer um estudo comparado das três vidas.
Tanto Paracelso (veja a imagem) como Cagliostro visitaram a Rússia, e HPB nasceu lá. Os três enfrentaram obstáculos semelhantes, adotando diante deles com frequência atitudes similares, e viajaram muito.
Paracelso explicou:
“O conhecimento que podemos obter não está confinado aos limites do nosso próprio país, e não corre atrás de nós, mas espera até que procuremos por ele. Ninguém se torna em sua própria casa um professor com experiência prática, e ninguém encontra um mestre dos segredos da Natureza em seu quarto. Devemos procurar pelo conhecimento onde pensamos que ele possa estar; e por que o homem que busca o saber haveria de ser desprezado?”
E ele acrescentou:
“Aqueles que permanecem em casa podem viver com mais conforto e podem ficar mais ricos que aqueles que vivem a viajar; mas eu não desejo viver confortavelmente, nem desejo ficar rico. A felicidade é melhor que as riquezas materiais, e feliz é aquele que viaja livre, sem possuir qualquer coisa que exija os seus cuidados. Quem quiser estudar o livro da Natureza deve caminhar com os pés sobre as folhas das árvores. Os livros são estudados olhando para as letras que eles contêm; a Natureza é estudada pelo exame dos seus tesouros em todos os países. Cada parte do mundo representa uma página no livro da Natureza, e todas as páginas, juntas, formam o livro que contém suas grandes revelações.” [1]
Os mais sábios entre os seres humanos são aprendizes conscientes da arte de viver.
(CCA)
NOTA:
[1] Paracelso, citado no livro “The PARACELSUS of Robert Browning”, de Christina Pollock Denison, The Baker and Taylor Company, New York, 1911, 239 pp., ver pp. 30-31.
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A Arte de Julgar Pessoas

Já Que é Inútil Fingir Que Não As Julgamos

Julgar e avaliar é o que fazemos antes de tomar decisões. Toda decisão tem como base algum tipo de julgamento.

É inútil, portanto, fingir para nós mesmos ou para outros que não julgamos pessoas e situações. Fazemos isso o tempo todo.

No entanto, a ideia de julgar inclui o dever de ser justo e equilibrado. Julgar e avaliar nos convida a prestar atenção aos fatos, a ter respeito pela verdade, e isso é benéfico – em primeiro lugar – para nós mesmos.

Devemos observar os vários aspectos da realidade, antes de fazer o nosso julgamento.

Nossa decisão deve estar sempre aberta à aceitação de novos fatos.

A realidade é dinâmica. Ela é com frequência surpreendente. Ela costuma derrotar aqueles que se recusam a olhar os fatos à sua frente.

Nós erraremos ao julgar situações e pessoas, mas podemos aprender com os nossos erros. Neste sentido, nossos fracassos acumulados talvez constituam um tesouro de proporções consideráveis.

Tudo o que precisamos é coragem para olhar honestamente os nossos erros, e uma vontade de fazer o melhor em cada situação, com base nas lições aprendidas.  (CCA)

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A Sociologia da Tradição Esotérica


Uma imagem dos Himalaias em quadro de Nicholas Roerich



De acordo com a filosofia teosófica, não existe separação entre o mundo interior de um indivíduo e a realidade externa que o rodeia. E não é difícil perceber que este axioma possui implicações revolucionárias, em Sociologia.
Embora alguns possam ficar surpresos, a verdade é que os Mestres dos Himalaias não são indiferentes diante de questões como Ética na Política. A teosofia não pretende estar “acima da necessidade de combater o crime”.
Todo esforço em defesa da Justiça é parte da teosofia, e um Mestre escreveu:
“Para nós um lustrador de botas honesto é tão bom quanto um rei honesto, e […] um varredor de ruas imoral é muito melhor e mais desculpável do que um imperador imoral.” [1]

Esta é uma ideia-chave para quem deseja construir um futuro saudável, no plano individual e no plano coletivo.
NOTA:
[1] “Cartas dos Mahatmas”, Ed. Teosófica, Brasília, volume I, p. 158. 

A Felicidade da Família Portuguesa

Notas Sobre a Alegria e o
Sofrimento nos Laços Familiares

Carlos Cardoso Aveline e Joana Maria Pinho

A imagem reproduz um quadro de Joana Maria Pinho pintado em 2011: o
amor, que é inseparável do respeito, faz parte do modo correto de olhar para a vida.

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Embora o artigo a seguir se refira à

família portuguesa, potencialmente o seu

conteúdo se aplica  às famílias de qualquer nação.   

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Os portugueses buscam paz e felicidade, e elas devem ser encontradas pelo indivíduo sobretudo dentro de si mesmo, e depois no mundo externo. 

Nenhum português é uma ilha: para encontrar a paz dentro de si mesmo, é necessário  construir a paz nas suas relações mais íntimas e mais pessoais.

E para construir a paz, é preciso compreender a guerra.

Há uma guerra familiar em Portugal, e ela é frequentemente surda. Funciona disfarçada de amor. Também anda misturada como veneno inconsciente e involuntário ao mais puro e mais verdadeiro amor.

A violência doméstica não é feita só de pancadas físicas. Existem pancadas emocionais. As agressões verbais provocam feridas difíceis de sarar. Há uma cultura da violência verbal na tradição familiar “tuga”. Há ditaduras familiares e elas provocam exilados. As famílias autoritárias podem ser patriarcais ou matriarcais. Possuem os seus Antónios Salazares, que às vezes respondem pelo nome de “Mãe”. 

Tais pessoas são amorosas, praticam o auto-sacrifício, mas abusam, e desrespeitam, porque foram vítimas de agressões em sua infância e não conhecem outra linguagem. Matriarcas e patriarcas têm o poder de decretar que tal ou qual pessoa “não pertence mais à família”, ou decidir  que “nunca pertenceu”. Fabricam a fantasia segundo a qual um filho, ou filha, chamado de “rebelde”, de “maluco” ou “inútil”, é destituído de qualidades positivas e não merece consideração.

Tais “figuras de autoridade” fazem-se de fortes. E fazem isso para fugirem da percepção das suas próprias fragilidades interiores. Usam de astúcia, porque temem usar a inteligência. Mas podem, e merecem, chegar a um ponto em que se libertarão da fantasia do autoritarismo para viver o amor com equilíbrio, auto-respeito e discernimento.

A Sabedoria Cura a Violência

Formas erradas de busca da felicidade estão na base do sofrimento que vemos ao nosso redor, e também do que vemos dentro de nós. A cura existe: ela está na sabedoria impessoal e imparcial que cada um pode encontrar em seu próprio coração.

O amor e a verdade, inseparáveis, governam o universo. Mas nem todos sabem disso. As guerras emocionais são modos agressivos de exercer a ignorância, e de administrar uma cegueira que às vezes é voluntária. Melhor seria abrir os olhos, porque toda agressão a outrem é uma agressão a si mesmo. Em uma certa dimensão da vida, aquele a quem amamos ou odiamos é um espelho nosso, conforme explicam a psicanálise e a teosofia. Um dos nomes do “efeito espelho” é “projeção”. 

Aquele que agride familiares – física, emocional ou mentalmente – é, pois, alguém que está desinformado sobre o modo como a vida funciona. Está a atacar o espelho. Atrai mau carma para si. Ainda não saiu da infância psicológica.

A agressão e a raiva são modos de disfarçar a frustração consigo mesmo, e com relações íntimas baseadas no egoísmo.  A violência física no âmbito doméstico provoca milhares de eventos registados a cada ano em Portugal. Em 2012, foram mais de 17 mil agressões, com grande número de casos fatais. Milhares de agressões, menos graves, não chegam ao conhecimento das autoridades e não fazem parte da estatística. É o caso das dinâmicas familiares de medo e raiva, ódio e desespero, ameaça e chantagem emocional. [1]

Os dramas familiares são verdadeiramente teatrais. Incluem gritos, tapas na mesa, acusações absurdas. Os dramalhões vividos por parte da família “tuga” seguem velhos roteiros inspirados na idade média. As farmácias saem ganhando com a infelicidade.   As agressões verbais e emocionais elevam a níveis absurdos o consumo de calmantes e antidepressivos, assim como as crises de nervos, as manias de vítima, as ameaças de suicídio, a tristeza profunda, a culpa, e as consultas aos psiquiatras que estão a serviço das indústrias químicas. Sem falar nas numerosas doenças físicas que decorrem do sofrimento emocional.

E esta dor é desnecessária. Está condenada a desaparecer. Não existe mais lugar para ela no século 21. Não há necessidade de permanecer na idade média.

O sentimento de afeto é a energia da vida. Ele cura todos os males, quando vivido com um nível razoável de sabedoria. O amor está no modo como olhamos para a vida: mas também deve haver, no mesmo olhar, um sentido de justiça, um sentimento de responsabilidade, um respeito incondicional. Estas são coisas que não se pode comprar nas farmácias, obter nas igrejas, ou aprender nas escolas: mas se aprenderá.

O amor é inseparável da verdade e da sinceridade. Ele deve ser incondicional. Ele é válido em si mesmo. Não pode estar sujeito a trocas comerciais e chantagens, como quando alguém diz:

“Eu amo-te e respeito-te se tu fizeres o que eu quero.” 

É melhor amar do que ser amado, compreender do que ser compreendido, cuidar de alguém do que ser cuidado. Mas a bem-aventurança surge da reciprocidade. Em última instância, é a capacidade de querer o bem dos outros, e de olhar para a vida do ponto de vista do amor-verdade, que nos aproxima da felicidade plena.

Vossos Filhos Não São Vossos Filhos

O bem-estar, o amor, o carinho e a violência (subtil ou brutal) se mesclam para formar um emaranhado e um paradoxo na vida familiar portuguesa.

A agressão é mais frequente no plano verbal e emocional. Ela é, em grande parte, subconsciente. Agride-se sem saber ou sentir que se agride. Mas a compreensão da infelicidade nos liberta dela. 

Um aspecto essencial do sofrimento é a atitude destrutiva do indivíduo em relação a si mesmo.  O pensamento negativo é uma forma de auto-agressão. Outros exemplos são o apego ao sofrimento, e a fuga dele. 

Milhares tentam escapar de si mesmos através da violência química e alucinógena. Inúmeros jovens “tugas” agridem seus organismos físicos e emocionais através do consumo de drogas e bebidas alcoólicas.  O problema atinge várias gerações. Alguns drogados, ainda jovens, já são pais e colocam em risco a formação emocional das suas crianças. 

Há pais de drogados – em alguns casos já avós – que preferem “não saber de nada”. Decidem ignorar os fatos porque estão emocionalmente distantes dos seus filhos. Amam-se todos, mas é como se vivessem em planetas diferentes. O problema tem solução: a alternativa está em perceber desde o início e como um primeiro passo que amar não basta. É preciso amar e profetizar incondicionalmente o bem. Deve-se amar e pensar o que é bom, e dizer, repetidamente, o que é bom.

O carma plantado no passado deve ser colhido, mas sempre é possível plantar bom carma para o futuro. O pensamento é uma arma. Cada palavra é um mantra e uma profecia que pressiona pelo seu próprio cumprimento. Assim, cada frase deve ter uma força predominantemente construtiva, tanto no diálogo interno consigo mesmo, como no diálogo com os outros. Não há um minuto que passe em vão: toda emoção e toda ideia criam carma. Além de amados, os filhos devem ser apoiados incondicionalmente em seu crescimento. Sua autonomia interior precisa ser respeitada. Isso implica renúncia. Khalil Gibran escreveu:

“E não imagineis que possais dirigir o curso do amor, pois o amor, se vos achar dignos, determinará ele próprio o vosso curso.” [2]

Gibran disse:

“Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E, embora vivam convosco, não vos pertencem. Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, porque eles têm os seus próprios pensamentos. Podeis abrigar os seus corpos, mas não as suas almas; pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procurei fazê-los como vós, porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.” [3]

Ninguém é dono dos seus filhos, portanto.   E ninguém tem o direito de abusar dos mais velhos. Da sabedoria nas relações pessoais, surge uma sabedoria social. O Portugal do futuro surge hoje, de dentro para fora. Já é possível acordar do pesadelo da ignorância.    

Há séculos, a nação portuguesa abre caminhos. O futuro de Portugal depende de uma retomada do seu pioneirismo. Tudo se comunica, e o exemplo de cada um chega misteriosamente a todos os outros: a vida da nação irá encontrar o seu ponto ótimo quando a porção mais criativa e pioneira dos seus cidadãos reconquistar com força suficiente a visão planetária da vida, o que deve ocorrer com base na experiência direta do autoconhecimento.

O Equilíbrio Entre Alegria e Tristeza

A família portuguesa é um pouco brasileira, e vice-versa. Os dois países estão mais unidos do que parece. 

No povo luso-brasileiro, como em todas as nações, alegria e tristeza estão unidas por uma relação de simetria. Para eliminar as causas da dor, os membros de cada família podem transcender ao mesmo tempo o apego cego e aquela rejeição que insiste em nada enxergar. Alegria e tristeza devem ser observados com serenidade, e Khalil Gibran escreveu:

“Vossa alegria é vossa tristeza mascarada. E o mesmo poço que dá nascimento a vosso riso foi muitas vezes preenchido com vossas lágrimas. E como poderia não ser assim? Quanto mais profundamente a tristeza cavar suas garras em vosso ser, tanto mais alegria podereis conter.”

Este é um paradoxo, e a sua aceitação permite a paz. Gibran acrescentou:

“Quando estiverdes alegre, olhai no fundo de vosso coração, e achareis que o que vos deu tristeza é aquilo mesmo que vos está dando alegria. E quando estiverdes triste, olhai novamente no vosso coração e vereis que, na verdade, estais chorando por aquilo mesmo que constituiu vosso deleite.”

O escritor alertou:

“Alguns dentre vós dizeis: ‘A alegria é maior que a tristeza’, e outros dizem: ‘Não, a tristeza é maior’. Eu, porém, vos digo que elas são inseparáveis. Vêm sempre juntas; e quando uma está sentada à vossa mesa, lembrai-vos de que a outra dorme em vossa cama. Em verdade, estais suspensos como os pratos de uma balança entre vossa tristeza e vossa alegria. É somente quando estais vazios que estais em equilíbrio.”[4]

O Portugal do futuro é fraterno, é sábio, e é rigoroso. Ele está a ser construído de modo quase invisível, mas eficaz. Cabe a cada um acelerar a substituição do ódio pela solidariedade, da hipocrisia pela sinceridade, da ambição material pela simplicidade voluntária. Deste modo a tristeza e o sofrimento se esgotam, se transmutam e renascem na forma de felicidade.

O Quinto Império, no Século 21

O mundo exterior reflete o território subtil da alma. O velho sonho do Quinto Império português, formulado por António Vieira, é correto. O mais belo sonho de grandeza dos portugueses surgirá inevitavelmente, mas devemos atualizar a forma como colocamos em palavras o sentimento do Quinto Império.

Dominar povos ou pessoas é uma brincadeira de crianças. É uma meta banal, insustentável, e sem valor. É coisa de quem não tem mais o que fazer. Só o Quinto Império é realmente grandioso, verdadeiro, durável e sagrado. E ele é o império sobre si mesmo.   Este é o único império que tem importância, porque é durável. Ele surge no século 21, mas é tão antigo quanto a sabedoria.

Três mil anos atrás, Gautama Buddha explicou:

“Melhor que um homem que vence em batalhas mil vezes mil homens, é aquele que vence a si mesmo. Ele é, na realidade, o maior dos guerreiros.” [5]

Fonte de toda verdadeira nobreza, o real Império sobre si mesmo tem importância sociológica decisiva porque permite agir criativamente desde o centro da nação inteira.

E onde está o centro do mundo lusitano? 

A nação portuguesa é semelhante ao famoso círculo de Pascal. Seu limite não está em parte alguma, porque há portugueses por todo lado neste planeta. O seu centro está em todas as partes – onde quer que haja uma alma consciente. O centro de Portugal não é, pois, geográfico. Não está na região de Coimbra ou de Lisboa. Cada família portuguesa é o centro do país. E o centro da família é a relação de casal.

Há um segredo que leva ao bem-estar na nação e na vida familiar, e ele está num conceito prático que decorre do império sobre si mesmo: o conceito de Okeidade, a capacidade de ver que a vida está OK.

A felicidade possível aos seres humanos não surge por acaso. Ela se instala quando alguém se recusa a pensar mal de si mesmo ou dos outros, combate ações erradas – mas não combate pessoas -, age corretamente, e reconhece o potencial positivo de todos os seres. Ao vivermos por mérito próprio em uma atmosfera emocional correta, mesmo contra o vento e contra a maré, fazemos com que o mundo que nos rodeia fique um pouco melhor. 

A consciência de que a cada minuto plantamos com nossos pensamentos e ações o que colheremos no futuro é uma chave para a felicidade da família portuguesa. É esta chave que abre o portal do Quinto Império. Ela permite o reencontro com a grandeza interior e a nobreza de alma, no âmago de todas as nações, isto é: na família.

NOTAS:

[1] Veja mais sobre a violência doméstica física em http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=632501&tm=8&layout=122&visual=61  .

Veja também http://iurd.pt/projetoraabe/os-numeros-da-violencia-domestica-em-portugal/ .

[2] “O Profeta”, Gibran Khalil Gibran, tradução de Mansour Challita, ACIGI, Rio de Janeiro, 89 pp., ver p. 11.

[3] “O Profeta”, Gibran Khalil Gibran, obra citada, pp. 15-16.

[4] “O Profeta”, Gibran Khalil Gibran, obra citada, ver pp. 27-28.

[5] “O Dhammapada”, capítulo 8. O Dhammapada completo está disponível emwww.FilosofiaEsoterica.com .

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O texto acima foi publicado inicialmente na página “Portugal Teosófico” do Facebook, em cinco episódios, partilhados dias 13, 15, 17, 19 e 21 de julho de 2013. Título no Facebook: “Felicidade na Família Portuguesa”.

No Facebook, visite as páginas Portugal Teosófico e SerAtento .

Visite sempre  www.FilosofiaEsoterica.comwww.TeosofiaOriginal.com  e  www.VislumbresdaOutraMargem.com .

Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva a lutbr@terra.com.br e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento

The Fire and Light of Theosophical Literature

Livro de 255 Páginas, Publicado por “The Aquarian
Theosophist
”, Acaba de Sair da Gráfica em Portugal

Capa de “The Fire and Light of Theosophical
Literature”, publicado por “The Aquarian Theosophist”

The Fire and Light of Theosophical Literature saiu da gráfica, em Aveiro, Portugal, poucos dias antes da publicação da presente edição. O livro está sendo colocado à venda internacionalmente por “The Aquarian Theosophist”. A obra examina o contraste entre verdade e ilusão nos ensinamentos da filosofia esotérica moderna, e aponta para o futuro luminoso da vida humana em nosso planeta.

O autor discute a luta probatória que ocorre na alma do movimento fundado em 1875 por Helena Blavatsky.

Com 28 capítulos, o volume possui três partes. A primeira examina as premissas e o contexto geral do contraste entre letra morta e sabedoria viva na mente humana e no movimento esotérico. A segunda parte faz um exame direto das fraudes e dos erros que ainda agora estão presentes em grande parte da literatura nominalmente “teosófica”, e mostra de que modo o movimento está libertando-se das ilusões fabricadas no período 1894-1934.

A terceira parte de “The Fire and Light” discute o futuro do movimento teosófico e o seu dever abençoado em relação à humanidade. O autor investiga os próximos passos da evolução humana, que – de acordo com a Teosofia – será cada vez mais diretamente inspirada e iluminada pela sabedoria universal.  

O livro foi impresso em Portugal e publicado por “The Aquarian Theosophist”, “O Teosofista” e websites associados. “The Aquarian” usou recursos de uma doação feita em nome de Celso de Magalhães. Saiu da gráfica nos primeiros dias de outubro.

Um pequeno estoque da obra está a caminho do Brasil. Quem prefere comprar o livro diretamente de onde está o estoque central pode fazer a compra através de Amazon Books nestes dois websites, entre outros:  http://www.amazon.com/gp/product/9892039971  (Estados Unidos e Américas),  ouhttp://www.amazon.co.uk/gp/product/9892039971  (Europa e o resto do mundo) . Também é possível comprar em qualquer site da Amazon Books através do nome do autor.

Novos Textos em FilosofiaEsoterica.com

A seguir, reproduzimos o relatório mensal de www.FilosofiaEsoterica.com e websites associados, válido para 06 de Outubro.

Há dois livros em francês, e um texto. Em italiano, são oito textos. O total de artigos em espanhol é de 30, e entre eles há dois livros. Em inglês, são 477 textos. Em língua portuguesa, há 739.  O total nos cinco idiomas é de 1.257  itens. Os textos incluídos nos websites associados entre 15 de Setembro e 06 de Outubro  de 2013 são os seguintes:

(Artigos mais recentes acima)

1.Krishnamurti e la TeosofiaCarlos Cardoso Aveline

2.Alexei Khomiakov, on BrotherhoodCarlos Cardoso Aveline

3.The Meaning of a PledgeOne Who Is Pledged

4.Maintenant, Je Sais Quand La Vieillesse CommenceCarlos Cardoso Aveline

5.L’Arte di Fermare il Tempo – Carlos Cardoso Aveline

6.Renunciation Is Freedom – Carlos Cardoso Aveline

7.Il Movimento Teosofico Moderno – La Loggia Unita dei Teosofi

8.Looking Beyond Personalities – Carlos Cardoso Aveline

9.A Arte de Parar o Tempo – Carlos Cardoso Aveline

10.The Aquarian Theosophist, September 2013

11.O Caminho da Sabedoria na Educação – Regina Maria Pimentel de Caux

12.The Victory of Ethics – Carlos Cardoso Aveline

13.Boletim O TEOSOFISTA, Setembro 2013

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